quarta-feira, 20 de março de 2013

“Para não ficar muito cansativo vou agora ensinar a fazer um belo miojo”.

Foi com esta bonita frase que o estudante mineiro Carlos Guilherme Ferreira, de 19 anos, começou o paragrafo no qual ensina a cozinhar um miojo (um prato típico da culinária japonesa, que basicamente consiste de uma massa pré-cozida, preparada com acréscimo de água quente).
Até aqui tudo normal, não fosse esse paragrafo estar propositadamente inserido no meio da redação obrigatória da sua prova do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio, o maior exame em língua portuguesa do mundo) realizada em Novembro passado.


O ENEM é um exame nacional multidisciplinar, realizado no Brasil, cujo objetivo é avaliar a qualidade do ensino médio no país. Apesar de não obrigatório, é realizado por um crescente numero de inscritos, uma vez que o seu resultado pode ser utilizado como nota de acesso ao ensino superior em um cada vez maior numero de universidades brasileiras que têm vindo a adoptar essa nota como critério (único ou parcial) de seleção.
A redação da edição 2012 do ENEM tinha como tema o Movimento imigratório para o Brasil no século XXI e Carlos, ao sitio da internet da Globo justificou a inclusão do paragrafo culinário, da seguinte forma: 'Queria testar a correção do Enem'. Inexplicavelmente, o MEC (Ministério da Educação [?!?] do Brasil)  diz que a presença de uma receita no texto do participante não fugiu ao tema, mas no entanto foi considerada inoportuna e inadequada, pelos corretores tendo provocando forte penalização especialmente nas competências 3 e 4. O órgão entende ainda que o aluno não teve a intenção de anular a redação, pois não feriu os direitos humanos e não usou palavras ofensivas.

Em 1000 pontos possíveis na redação, Carlos recebeu 560. O miojo estava pelo menos aceitavel, pelos vistos.

Como é que eu não me lembrei disto ao dissertar sobre a A Mensagem no Exame Nacional de Português do 12º Ano?

sexta-feira, 8 de março de 2013

Eu não quero ir à maquina zero!




Na Coreia do Norte só há 28 penteados possíveis

Os regimes comunistas sempre se destacaram pela disciplina militar, que se aplica em todos os aspetos da vida social. Estes padrões que guiam a vida dos cidadãos chegam mesmo a deixar de lado a identidade pessoal dos mesmos.
É por esta razão que a última diretriz do regime norte-coreano foi vista como um sinal de modernidade, transparência e como gesto de generosidade para com a população. A nova regra contaria a escassa lista de penteados permitida pelo regime do recém-falecido Kim Jong-Il e dá a hipótese aos homens e mulheres de "escolherem" novos penteados, aprovados pelo regime.
Eles podem escolher entre dez looks possíveis, apesar de o comprimento do cabelo não poder ultrapassar os cinco centímetros de comprimento e de não poderem adotar o mesmo hairstyle do atual líder, Kim Jong-Un. São ainda proibidas as perucas, os cabelos com gel e os cabelos longos, por serem considerados muitos efeminados. Em relação a elas, muito mais afortunadas, podem agora escolher entre 18 cortes possíveis, tendo em conta se são solteiras ou casadas, já que às primeiras é proibido o cabelo comprido ou apanhado.
Na verdade, não se tratam de opções, mas sim de imposições, porque se estas regras de estilo forem ignoradas, os cidadãos poderão ser presos.
Não é a primeira vez que o Governo norte-coreano impõe regras de aparência. Em 2004, por exemplo, o gabinete de Kim Jong-Il emitiu uma campanha de propaganda através da televisão, chamada "Um Estilo de Vida Socialista", onde advertia para os cabelos compridos, que diziam poderem afetar a inteligência.

In DN,08/03/2013